A corrida presidencial de 2026 ganha contornos cada vez mais definidos com o avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas intenções de voto. Desde que se lançou como pré-candidato, Flávio tem demonstrado uma capacidade notável de consolidação, impulsionada principalmente pela transferência direta de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Esse movimento, descrito por especialistas como “inédito e impressionante”, reflete um crescimento ininterrupto nas sondagens recentes, posicionando-o como uma figura central no campo conservador.
De acordo com informações antecipadas por analistas, a próxima pesquisa do instituto Paraná Pesquisas, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07974/2026, pode registrar pela primeira vez Flávio à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A coleta de dados ocorre entre os dias 22 e 25 de fevereiro, com 2.080 entrevistados em entrevistas presenciais, financiadas com recursos próprios do instituto. O questionário inclui cenários espontâneos e estimulados, com nomes como Lula, Flávio Bolsonaro, Ratinho Junior, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Aldo Rebelo e Renan Santos, além de simulações de segundo turno, como Flávio x Lula, Lula x Ratinho Junior e Lula x Ronaldo Caiado.
Especialistas destacam que o crescimento de Flávio não se limita à base bolsonarista tradicional. Para sustentar uma possível liderança, o senador precisa dialogar com o eleitorado de centro, menos ideológico e mais pragmático, que historicamente decide eleições em segundo turno. Estratégias reveladas nos bastidores indicam que Jair Bolsonaro concedeu autonomia ao filho para conduzir a campanha, incluindo a possibilidade de reconhecer erros do governo anterior e formar alianças além do núcleo duro conservador. Esse pragmatismo pode ser chave para expandir seu teto eleitoral.
Outros fatores recentes, como a repercussão negativa do desfile de Carnaval em homenagem a Lula na Sapucaí — associado a recursos públicos em meio a desafios em áreas como saúde e serviços básicos —, podem ter contribuído para o desgaste do atual presidente, abrindo espaço para o avanço de Flávio. Além disso, a pesquisa da Paraná Pesquisas inclui avaliações do governo federal em comparação ao período Bolsonaro, focando em temas como economia, segurança, saúde e corrupção, além de medidas como a isenção de imposto de renda para salários até R$ 5 mil e indicadores sociais como recebimento do Bolsa Família.
Essa rodada faz parte de uma série de levantamentos presidenciais esperados para esta semana, incluindo a AtlasIntel, prevista para divulgação na quarta-feira (25). Ao todo, pelo menos 17 pesquisas estão registradas no TSE até a próxima segunda-feira (2 de março), intensificando o debate eleitoral. No entanto, como ressaltam os analistas, pesquisas não decidem eleições, mas influenciam discursos, alianças e recursos de campanha.
O cenário reflete a fragmentação da direita, com múltiplos nomes em disputa, enquanto Lula busca enquadrar a eleição como um plebiscito sobre seu governo. O desempenho de Flávio desde o lançamento de sua pré-candidatura demonstra uma habilidade em capitalizar a herança familiar, mas o verdadeiro teste será sua capacidade de atrair votos moderados para além da polarização.
Fontes: Blog do Esmael, Exame e Veja
















