O Brasil vive um paradoxo doloroso. Em regiões que ostentam os piores indicadores sociais, econômicos e de segurança do país — especialmente no Nordeste e em parte do Norte —, o apoio a um modelo de governo que já foi testado e falhou permanece elevado. Não se trata apenas de preferência eleitoral. Trata-se de um fenômeno mais profundo: a normalização da dependência e a defesa organizada da escassez.
As políticas econômicas e sociais dos governos do PT construíram, ao longo de décadas, um ciclo vicioso. Em vez de gerar prosperidade sustentável, priorizaram a expansão do Estado, o aumento de impostos, a burocracia asfixiante e o endividamento público crescente. O resultado é conhecido: famílias que dependem de transferências estatais para comprar o básico, carne que se torna artigo de luxo e a substituição do acém pelo ovo como realidade cotidiana. A prosperidade, nesse modelo, é tratada como algo secundário ou até indesejado. O que se oferece, com frequência, são “cestas de migalhas” que mantêm o eleitor preso à máquina assistencialista.
Esse arranjo é sustentado por outros pilares. A corrupção, reiteradamente apontada em pesquisas e investigações, não é um acidente: é um dos mecanismos que alimentam o sistema. O aparelhamento estatal de instituições — da administração pública ao Judiciário — reduz o espaço para fiscalização efetiva e cria um ambiente de impunidade seletiva. Pesquisas de opinião e levantamentos de confiança institucional mostram, de forma recorrente, a percepção de parcialidade do Judiciário e a baixa credibilidade de órgãos de controle quando se trata de apurar irregularidades de determinados grupos políticos. O resultado é a perpetuação de um poder que se apresenta como inviolável.
Não se trata de negar a existência de pobreza estrutural ou de problemas históricos. O ponto é outro: o modelo que promete resolver a miséria por meio de mais Estado, mais impostos e mais dependência tem se mostrado incapaz de gerar autonomia. Em vez de libertar o cidadão da necessidade de pedir ao governo o pão de cada dia, ele aprofunda a submissão. O brasileiro, em parcela significativa, parece ter aprendido a gostar do cativeiro — a aceitar que farelos são abundância e que depender do Estado é uma forma de liberdade.
Salvar quem não quer ser salvo é, de fato, a tarefa mais difícil. Enquanto a prosperidade for apresentada como discurso de “extremistas” e a dependência como cuidado, o ciclo tende a se repetir. O desafio não é apenas econômico ou eleitoral. É cultural e institucional. Romper o vício da miséria exige mais do que programas de transferência de renda: exige reduzir o peso do Estado, combater a corrupção de forma isonômica, desburocratizar a economia e restaurar a confiança nas instituições. Sem isso, o Brasil continuará preso a um modelo que já demonstrou, na prática, sua capacidade de produzir fracasso.
Fonte: Revista Oeste (adaptado)















