O governo talibã no Afeganistão determinou, por decreto do líder supremo Hibatullah Akhundzada, a proibição do uso de smartphones por integrantes do governo e servidores públicos. A partir da publicação da norma, em 9 de junho de 2026, apenas celulares com funções básicas de chamada e SMS são permitidos para esses servidores.
A medida amplia as restrições tecnológicas impostas desde a retomada do poder pelos talibãs em 2021. O ministro do Ensino Superior classificou os smartphones como “um dos três principais inimigos dos muçulmanos”, reforçando o objetivo de controlar a circulação de informações e comunicações. O decreto ocorre após proibições semelhantes em salas de aula e seminários religiosos pelo Departamento de Educação Islâmica.
O descumprimento da norma sujeita os infratores a tribunais militares. O Ministério da Justiça talibã encaminhou documento às autoridades judiciais, policiais e de inteligência, com os tribunais militares responsáveis por monitorar a aplicação da medida e prestar informações periódicas à liderança do regime.
Em setembro de 2025, o Afeganistão já havia enfrentado um apagão de internet de 48 horas, além de manter restrições a plataformas como Instagram, Facebook e Snapchat.
A iniciativa talibã reflete uma estratégia clara de controle autoritário sobre a tecnologia e o fluxo de informações, sob o pretexto de ordem e moralidade. De forma semelhante, o governo brasileiro liderado pelo PT recentemente impôs um decreto que estabelece maior controle sobre conteúdo na internet, em completo alinhamento com decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Críticos apontam que a medida representa um avanço preocupante em direção à censura estatal e à limitação da liberdade de expressão, ecoando o modelo de silenciamento adotado por regimes como o talibã — que priorizam o controle da informação para manter o poder, em vez de proteger direitos fundamentais dos cidadãos.
Fonte: Revista Oeste (reportagem de 9 de junho de 2026)
















