As canetas injetáveis para emagrecimento, popularizadas como ferramentas para alcançar o “corpo ideal” nas redes sociais, têm ganhado destaque entre brasileiros em busca de resultados rápidos. No entanto, especialistas enfatizam que esses medicamentos — originalmente desenvolvidos para tratamento de diabetes — não são milagrosos e demandam acompanhamento profissional rigoroso.
No programa A Força do Agro, apresentado por Joice Maffezzolli na Revista Oeste, o endocrinologista Dr. Yure Rodrigues e o colunista Valderson de Souza discutiram o mecanismo, os benefícios e os riscos dessas canetas. Os principais compostos citados são a semaglutida (conhecida comercialmente como Ozempic) e a tirzepatida (Mounjaro), que combina análogos de hormônios GLP-1 e GIP.
Essas substâncias imitam hormônios naturalmente produzidos pelo corpo, mas com ação prolongada, permitindo aplicação semanal subcutânea (na região abdominal ou glútea). O principal efeito é o aumento da saciedade, por meio do atraso no esvaziamento gástrico, o que reduz a ingestão calórica e promove a perda de peso.
“O medicamento aumenta a sensação de saciedade e cria um déficit calórico, mas é essencial o acompanhamento médico e nutricional”, explicou Dr. Yure Rodrigues. Ele destacou que o tratamento deve ser associado a reeducação alimentar, prática regular de exercícios físicos, sono regulado e hidratação adequada. Sem esses pilares, o uso pode levar a deficiências nutricionais ou efeito rebote.
Embora seguros quando prescritos corretamente, os injetáveis apresentam efeitos colaterais comuns, como náuseas, vômitos, diarreia, constipação e distensão abdominal. “Esses sintomas podem ser minimizados com ajustes de dose e medicamentos auxiliares, mas o monitoramento é indispensável”, afirmou o endocrinologista.
O uso é contraindicado para certos grupos, incluindo grávidas, menores de 18 anos, pacientes com histórico de tumores na tireoide ou doenças gastrointestinais graves. Rodrigues reforçou que não há indicação para pessoas com peso normal ou sem critérios clínicos, como obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades — avaliados por exames como bioimpedância e medida de circunferência abdominal.
O programa também trouxe um recorte histórico: na Grécia antiga, corpos mais cheinhos eram valorizados como símbolo de saúde e fertilidade, contrastando com o padrão atual de magreza impulsionado pela exposição nas redes sociais.
Os especialistas concordam que as canetas representam um avanço, mas não substituem mudanças de hábitos. “Não há milagre: é preciso reeducar paladar, rotina e estilo de vida”, concluiu Valderson de Souza.
Fonte: Revista Oeste e Canal no YouTube













