A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou, nesta quarta-feira (25), a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa Maridt Participações, da qual o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli é sócio, juntamente com seus irmãos José Carlos Dias Toffoli Cônego e José Eugênio Dias Toffoli. A medida abrange o período de 1º de janeiro de 2022 a 8 de fevereiro de 2026 e foi solicitada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da comissão, com o objetivo de investigar possíveis interesses pessoais de Toffoli no inquérito das fraudes no Banco Master.
A CPI também aprovou a quebra de sigilos do Banco Master e da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (antiga Reag Investimentos), citada em conexões com o resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). A Maridt Participações integrou o grupo responsável pelo resort e vendeu sua participação em 2021. Segundo Vieira, há indícios de ligações entre os sócios da Maridt e a Reag Trust, que foi alvo da Operação Carbono Oculto por supostas relações de lavagem de dinheiro com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O fundo Arleen, administrado pela Reag Trust, tinha como cotista o cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Além disso, o requerimento menciona a existência de um cassino no resort, o que pode configurar contravenção penal.
Os parlamentares aprovaram ainda a convocação dos irmãos de Toffoli para depoimentos, bem como de outros envolvidos no caso, incluindo Daniel Vorcaro (dono do Banco Master), Ângelo Antônio Ribeiro da Silva (sócio do banco), Fabiano Campos Zettel, João Carlos Falbo Mansur (fundador e ex-presidente do Conselho de Administração da Reag Investimentos), Augusto Ferreira Lima (ex-CEO do Banco Master), Alberto Félix de Oliveira Neto (superintendente executivo de Tesouraria do Banco Master), Luiz Antônio Bull (ex-diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia do Banco Master) e Paulo Henrique Costa (presidente afastado do Banco de Brasília – BRB).
Em outro requerimento, a comissão aprovou convites para depoimentos dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, bem como da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes. Os senadores buscam esclarecimentos sobre um contrato de prestação de serviços advocatícios que Viviane teria firmado com o Banco Master. Inicialmente, o pedido era de convocação, mas foi alterado para convite após orientação da advocacia do Senado, respeitando o sigilo profissional entre advogado e cliente.
Toffoli era o relator dos inquéritos sobre fraudes no Banco Master no STF, mas deixou a função em 12 de fevereiro de 2026, após críticas relacionadas às suas conexões familiares com a Maridt, que realizou operações financeiras com um fundo gerido pelo cunhado de Vorcaro. O caso agora está sob responsabilidade do ministro André Mendonça.
A oitiva prevista para esta quarta-feira do ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos Silva (TH Joias), preso por ligações com o Comando Vermelho, foi adiada. O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), explicou que o Supremo Tribunal Federal não autorizou o deslocamento do detido a tempo.
Fontes: Valor Econômico e Portal Primeira Hora
















