O ex-banqueiro Daniel Vorcaro não fez distinção ideológica ao financiar produções cinematográficas sobre presidentes da República. Além de ter sido procurado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para aportar recursos em um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, Vorcaro também injetou dinheiro em duas hagiografias (biografias elogiosas) de outros ex-presidentes: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Michel Temer (MDB).
De acordo com a coluna de Lauro Jardim, publicada nesta quarta-feira (13) no blog de O Globo, pessoas ligadas a Vorcaro relatam que o empresário aportou recursos nas seguintes produções:
• O documentário Lula, dirigido pelo cineasta americano Oliver Stone em 2024;
• O filme 963 dias — A história de um presidente que recolocou o Brasil nos trilhos, sobre a gestão de Michel Temer, dirigido por Bruno Barreto, com estreia prevista para o mês que vem (junho de 2026).
Ainda não se sabe em que condições ou em quais valores exatos esses recursos foram repassados.
Procurado pela coluna, Elsinho Mouco — ex-assessor de Temer e produtor do documentário sobre o ex-presidente emedebista — negou ter pedido dinheiro a Vorcaro.
Em atualização publicada às 18h07, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República informou que “não houve qualquer pedido, nem do presidente e nem do governo, para o financiamento do documentário ‘Lula’, de Oliver Stone”.
A coluna de Lauro Jardim também revela que, em 2025, Michel Temer prestou serviços de mediação a Vorcaro. O ex-presidente atuou para tentar viabilizar uma transação entre o Banco Master e o BRB, recebendo R$ 10 milhões pelo serviço.
A informação ganha relevância após a divulgação de uma mensagem de áudio em que Flávio Bolsonaro pede recursos a Daniel Vorcaro para concluir o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A revelação sobre os financiamentos a produções sobre Lula e Temer mostra que o ex-banqueiro não impunha restrições políticas às produções que apoiava.
Fonte: O Globo/Lauro Jardim
















