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Brasil Apresenta 2ª Pior Imparcialidade na Justiça Criminal do Mundo, Segundo Estudo Internacional

País fica atrás apenas da Venezuela em ranking de parcialidade judiciária, conforme dados do Rule of Law Index 2024 da World Justice Project

Por pautainformativa
Brasil Apresenta 2ª Pior Imparcialidade na Justiça Criminal do Mundo, Segundo Estudo Internacional
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O Brasil ocupa a segunda pior posição global em termos de imparcialidade na Justiça Criminal, superado apenas pela Venezuela, de acordo com o mais recente levantamento do Rule of Law Index (Índice do Estado de Direito), publicado pela World Justice Project (WJP) em 2024. O estudo, que avaliou 142 nações com base em pesquisas com a população local e opiniões de especialistas, revela deficiências significativas no sistema judiciário brasileiro, incluindo baixa eficiência em investigações criminais, lentidão nos processos e falhas no cumprimento do devido processo legal. A nota média global do índice foi de 0,55, enquanto o Brasil obteve uma pontuação geral de 0,50, posicionando-o na 80ª colocação mundial.

A World Justice Project, uma organização internacional independente fundada em 2006 pela American Bar Association, define o Estado de Direito como um sistema que incorpora leis duradouras, instituições sólidas, normas e compromissos comunitários. A avaliação considera quatro princípios universais: responsabilização, justiça equitativa, governo aberto e justiça acessível e imparcial. Além disso, o índice analisa oito indicadores principais, como restrições aos poderes governamentais, ausência de corrupção, governo aberto, direitos fundamentais, ordem e segurança, aplicação regulamentar da lei, justiça civil e justiça criminal.

No ranking regional da América Latina e do Caribe, o Brasil aparece na 17ª posição entre 32 países. Em uma comparação hipotética com a África Subsaariana, o país ficaria apenas na 9ª colocação, atrás de nações como Ruanda, Namíbia, Ilhas Maurício, Botsuana, África do Sul, Senegal, Gana e Malawi. Globalmente, o Brasil é superado por países como Tunísia, Panamá, Nepal e Sri Lanka. Em indicadores específicos, o desempenho brasileiro varia: o país obteve a 77ª posição em ausência de corrupção, com pontuação de 0,45 (mostrando uma leve melhoria após uma queda entre 2015 e 2021), mas caiu para a 122ª em ordem e segurança, devido aos altos índices de criminalidade, e para a 129ª em punição a autoridades envolvidas em má conduta.

O relatório enfatiza que o Estado de Direito está diretamente ligado a melhores resultados econômicos, educacionais e de expectativa de vida, destacando os desafios persistentes no Brasil para alcançar esses padrões.

Justiça Criminal e Parcialidade: Um Olhar Aprofundado

No âmbito da Justiça Criminal, o Brasil registrou uma das piores performances globais, ocupando a 113ª posição com uma nota de 0,33 – bem abaixo da média mundial de 0,47. Esse indicador avalia aspectos como a eficiência do sistema prisional, a eficácia das investigações criminais, a celeridade dos processos judiciais e o respeito ao devido processo legal, nos quais o país apresentou resultados insatisfatórios.

O ponto mais crítico, no entanto, refere-se à imparcialidade do Judiciário, onde o Brasil é classificado como o segundo pior do mundo, à frente apenas da Venezuela. Essa baixa pontuação reflete preocupações com influências externas no sistema judiciário, incluindo potenciais interferências políticas e corrupção, embora o estudo não detalhe causas específicas. A ausência de corrupção no Judiciário mostrou uma estabilização recente, mas o ranking em punição a autoridades por má conduta (129ª posição) sugere falhas na accountability, o que pode contribuir para percepções de parcialidade.

Especialistas consultados pela WJP, incluindo a ex-ministra do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie, que atua como diretora da organização no Brasil, respondem a questionários detalhados sobre o respeito ao Estado de Direito. Os dados indicam que, apesar de avanços em transparência governamental e liberdade religiosa (acima da média global), o sistema criminal brasileiro enfrenta barreiras significativas para garantir uma justiça imparcial e acessível. Comparativamente, nações com melhores rankings demonstram maior equilíbrio entre independência judicial e mecanismos de controle, o que o Brasil ainda precisa aprimorar para elevar sua posição internacional.

Dados Adicionais sobre Justiça Criminal

Além dos rankings gerais, o sistema de justiça criminal no Brasil apresenta outros indicadores preocupantes. Em 2019, a população carcerária do país chegava a 812.564 pessoas privadas de liberdade, segundo o Banco de Monitoramento de Prisões do Conselho Nacional de Justiça, destacando um dos maiores sistemas prisionais do mundo, com superlotação e condições precárias que contribuem para a ineficácia na redução do comportamento criminal.  No subfator de efetividade do sistema correcional (8.3), o Brasil obteve pontuações entre 0,19 e 0,34, refletindo falhas em instituições seguras que respeitam direitos e previnem reincidência. 

Em termos de eficiência, apenas 8% dos homicídios no Brasil resultam em condenações, indicando a necessidade urgente de reformas no sistema judicial para combater a impunidade e melhorar a taxa de resolução de crimes graves.  No subfator de efetividade das investigações criminais (8.1), as notas variam de 0,31 a 0,35, apontando para recursos insuficientes, incompetência e presença de corrupção entre policiais, investigadores e promotores.  Já no subfator de celeridade e efetividade do sistema de adjudicação criminal (8.2), as pontuações oscilam entre 0,25 e 0,54, evidenciando lentidão nos processos e falhas na competência dos juízes.

Outros subfatores incluem a ausência de corrupção no sistema criminal (8.5), com notas de 0,48 a 0,55, e a liberdade de influência governamental imprópria (8.6), entre 0,42 e 0,54. No respeito ao devido processo legal e direitos dos acusados (8.7), o Brasil marca 0,35 a 0,38, destacando problemas como presunção de inocência violada e acesso limitado a evidências e assistência legal. 

Erros Judiciários e Condenações Injustas

O Brasil enfrenta desafios significativos com erros judiciários, incluindo condenações injustas, embora haja uma falta de dados oficiais abrangentes sobre o tema.  Uma pesquisa inédita realizada pelo jornal Folha de S.Paulo analisou 100 casos de pessoas inocentes presas, revelando que 71% das acusações falsas incriminaram indivíduos negros, destacando vieses raciais no sistema.  Em 2023, o Supremo Tribunal Federal derrubou 377 condenações ou prisões injustas onde a única evidência era o “reconhecimento” por vítimas, frequentemente baseado em identificações fotográficas falhas. 

Estudos indicam que o sistema de justiça é notório por prender injustamente populações pobres e marginalizadas, enquanto criminosos perigosos muitas vezes escapam, alimentando o crime organizado.  Uma revisão sistemática da literatura sobre condenações injustas na América Latina, incluindo o Brasil, aponta para causas como evidências periciais falhas e vieses comportamentais em decisões judiciais, com pesquisas identificando heurísticas comuns que levam a erros.   Relatórios internacionais, como o da ONU, enfatizam que certos grupos são mais afetados por condenações injustas e erros judiciários no Brasil. 

Esses dados reforçam a necessidade de reformas para mitigar vieses, melhorar a qualidade das evidências e garantir maior accountability no sistema judiciário brasileiro.

Fonte: Revista Oeste.

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