O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, divulgado nesta quarta-feira (20), coloca o Maranhão na 26ª posição entre as 27 unidades da federação, com apenas 57,59 pontos — bem abaixo da média nacional de 63,40. Apenas o Pará (55,80) ficou atrás. O indicador, que avalia os 5.570 municípios brasileiros com base em 57 indicadores sociais e ambientais (dados do DataSUS, IBGE, Inep e MapBiomas), vai muito além do PIB: mede se a riqueza gerada efetivamente chega à população em forma de qualidade de vida real.

Desenvolvido em parceria entre Imazon, Fundação Avina, Amazônia 2030 e Social Progress Imperative, o IPS é calculado em escala de 0 a 100 e se divide em três dimensões principais:
• Necessidades Humanas Básicas (melhor desempenho nacional: 74,58 pontos) — alimentação, saúde, moradia, saneamento e segurança;
• Fundamentos do Bem-Estar (68,81 pontos) — educação, acesso à internet, saúde e qualidade ambiental;
• Oportunidades (pior dimensão do país: 46,82 pontos) — direitos individuais, inclusão social, liberdades pessoais e acesso ao ensino superior.
A dimensão Oportunidades é a mais crítica no Brasil inteiro e reflete exatamente onde o Maranhão mais falha: falta de perspectivas reais de ascensão social.
São Luís se sai melhor que o estado, mas interior é dramático
A capital São Luís registrou 65,64 pontos e ficou em 17º lugar entre as 27 capitais brasileiras — acima da média nacional, mas ainda distante de Curitiba (71,29), Brasília (70,73) e São Paulo (70,64).
No interior maranhense, a realidade é bem diferente. Peritoró aparece entre as 20 piores cidades do Brasil, na 16ª posição do ranking negativo, com apenas 47,53 pontos. O município integra o grupo de cidades com fragilidades graves, especialmente em direitos individuais e inclusão social. O padrão se repete: das 20 piores cidades do país, 19 estão no Norte e Nordeste.
Enquanto o Sul e Sudeste dominam os primeiros lugares (DF lidera com 70,73; São Paulo em 2º com 67,96; Santa Catarina em 3º com 65,58), o Maranhão permanece preso na lanterna junto com estados que historicamente apresentam os piores indicadores sociais e ambientais.
Gestões públicas que priorizam assistencialismo e não geram desenvolvimento
Os números do IPS 2026 são um retrato cruel de décadas de gestões estaduais e municipais no Maranhão que optaram por um modelo centrado em transferência de renda e projetos assistencialistas, muitas vezes articulados com parlamentares maranhenses via emendas e programas federais, em vez de investir pesadamente em desenvolvimento econômico estruturante, educação de qualidade, formação profissional e atração de investimentos geradores de emprego formal e renda sustentável.
O resultado está aí: o estado entrega pobreza persistente, baixa qualidade de vida e falta de oportunidades reais para a população. A dependência excessiva de programas assistenciais sem contrapartida em políticas que empoderem as pessoas e criem condições para o crescimento econômico autônomo perpetua ciclos de subdesenvolvimento. Municípios do interior, como Peritoró, pagam o preço mais alto dessa escolha.
Enquanto outras regiões combinam assistência social com investimentos em capital humano, infraestrutura produtiva e ambiente de negócios, o Maranhão insiste em um modelo que, apesar do volume de recursos públicos captados, não consegue tirar o estado da lanterna do progresso social. A melhoria tímida da nota estadual (de cerca de 55,96 em 2025 para 57,59 em 2026) é insuficiente e não mascara a ausência de um projeto de desenvolvimento de longo prazo.
O IPS deixa claro: não basta transferir renda. É preciso gerar condições para que as pessoas prosperem por conta própria. O Maranhão, infelizmente, continua escolhendo o caminho mais fácil — e mais prejudicial à sua população.
Fonte: G1 (reportagem “Qualidade de vida 2026: ranking das melhores e piores cidades”, publicada em 20/05/2026, com base no IPS Brasil 2026).
















