Washington, 08 de janeiro de 2026 – O governo do presidente Donald Trump tem agitado a geopolítica global ao revitalizar a histórica Doutrina Monroe, rebatizada informalmente como “Donroe Doctrine” ou “Trump Corollary”, em uma estratégia que visa reafirmar a dominância dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental. Essa abordagem, delineada na Estratégia de Segurança Nacional de 2025, lançada em dezembro do ano passado, identifica “competidores não-hemisféricos” como China e Rússia como ameaças diretas à soberania americana na região, priorizando intervenções para conter governos socialistas e promover alinhamentos pró-EUA.
Para compreender o contexto mais amplo, é essencial uma visão explicativa sobre a geopolítica mundial atual. A geopolítica refere-se ao estudo das relações entre geografia, poder e política internacional, influenciando como nações competem por recursos, territórios e influência. No cenário pós-Guerra Fria, o mundo evoluiu de um sistema bipolar (EUA vs. URSS) para um multipolar, marcado pela ascensão de potências como China, Rússia e, em menor escala, Índia e União Europeia. Os EUA, sob Trump, adotam uma postura “America First”, priorizando interesses nacionais sobre alianças multilaterais, o que se reflete em tarifas comerciais, retirada de acordos como o Acordo de Paris e fortalecimento de barreiras contra migração. Nesse quadro, a China emerge como o principal rival, com sua iniciativa Cinturão e Rota (Belt and Road Initiative) expandindo influência econômica em mais de 140 países, incluindo na América Latina, onde investe em infraestrutura para garantir acesso a commodities como soja, minérios e petróleo. A Rússia, por sua vez, busca contrabalançar o Ocidente por meio de alianças militares e energéticas, como na Venezuela e em Cuba, explorando vácuos deixados pela hesitação americana anterior. Essa dinâmica cria tensões em regiões chave: no Indo-Pacífico, com disputas no Mar do Sul da China; na Europa Oriental, com a guerra na Ucrânia; e agora, intensamente, nas Américas, onde a Doutrina Monroe é revivida como ferramenta para conter essa “invasão” não-ocidental.
A Doutrina Monroe original, proclamada em 1823 pelo presidente James Monroe, alertava potências europeias contra interferências nas Américas. Agora, sob Trump, ela evolui para uma ferramenta ativa contra o que a administração chama de “influência maligna” de Pequim e Moscou. Um exemplo concreto é a operação de mudança de regime na Venezuela, onde forças apoiadas pelos EUA derrubaram o governo socialista de Nicolás Maduro no início de 2026, citando a doutrina como justificativa para a supremacia americana na região. Trump declarou que “a Doutrina Monroe é grande, mas a superamos em muito – agora é a Donroe Doctrine”, enfatizando uma abordagem mais assertiva.
Os impactos se estendem a outros governos de esquerda na América Latina. Países como Cuba, Nicarágua e Bolívia enfrentam sanções ampliadas e pressões diplomáticas, com o governo Trump ameaçando ações semelhantes se esses regimes continuarem a aprofundar laços com a China. No Brasil, sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva – considerado socialista por Washington –, as repercussões são diretas. O Brasil, maior economia da região, tem sido pressionado a reduzir investimentos chineses em infraestrutura, como portos e rodovias, sob ameaça de tarifas comerciais ou restrições a exportações agrícolas. Analistas apontam que essa dinâmica pode afetar as eleições presidenciais brasileiras de outubro de 2026, fortalecendo candidatos alinhados aos EUA e enfraquecendo a autonomia diplomática de Brasília, que historicamente equilibra relações com múltiplos polos de poder. Em um mundo geopolítico onde blocos como os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) desafiam a hegemonia ocidental, ações como essas podem forçar o Brasil a escolher lados, potencialmente isolando-o de parcerias emergentes no Sul Global.
Essa revitalização da Doutrina Monroe reflete preocupações com a expansão chinesa na América Latina, onde Pequim investiu bilhões em projetos de Belt and Road Initiative. No entanto, críticos argumentam que a estratégia pode reavivar tensões da Guerra Fria, quando intervenções americanas em países como Grenada, Argentina e o próprio Brasil (durante a ditadura militar) geraram instabilidade e ressentimentos duradouros. Em termos geopolíticos globais, essa abordagem pode acelerar a fragmentação do sistema internacional, incentivando alianças anti-EUA, como a parceria sino-russa, e enfraquecendo instituições multilaterais como a ONU ou a OMC, que Trump frequentemente critica como “injustas”.
Ideias e Ações do Governo Trump
Embora as ações de Trump demonstrem uma visão proativa para proteger interesses econômicos e de segurança dos EUA em um mundo multipolar, elas carregam riscos significativos. Uma crítica construtiva é que essa abordagem unilateral pode ser percebida como neo-imperialista, alienando aliados potenciais na região e fomentando resistências que beneficiem rivais como a China. Em vez de intervenções diretas, uma estratégia mais eficaz poderia envolver diplomacia multilateral, como parcerias econômicas igualitárias via organizações como a OEA, para promover estabilidade sem minar soberanias nacionais. Além disso, ignorar questões internas como desigualdade social nos governos socialistas pode perpetuar ciclos de instabilidade, sugerindo que o foco em “contenção” seja complementado por iniciativas de desenvolvimento sustentável para abordar raízes dos problemas. No contexto geopolítico mundial, uma política mais equilibrada poderia incluir diálogos com potências emergentes, evitando uma nova Guerra Fria que drene recursos e aumente riscos globais, como conflitos cibernéticos ou nucleares.
Fontes: ABC News, The New York Times, Overseas Development Institute, TIME, Al Jazeera, World Socialist Web Site, BBC, The Guardian, Texas Public Radio, Brookings Institution, Atlantic Council, Jacobin, Chatham House.
















