O governo dos Estados Unidos classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras (Foreign Terrorist Organizations – FTOs) e terroristas globais especialmente designados (Specially Designated Global Terrorists – SDGTs). O anúncio foi feito em 28 de maio de 2026 pelo secretário de Estado Marco Rubio.
A medida entra em vigor em 5 de junho de 2026, após publicação no Federal Register. Ela se baseia na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA e na Ordem Executiva 13224, emitida após os atentados de 11 de setembro de 2001.
Em declaração, Marco Rubio afirmou: “Primeiro Comando da Capital and Comando Vermelho are two of the most violent criminal organizations in Brazil. Their reach extends throughout our region and into our country. Today, I designated these organizations as Foreign Terrorist Organizations and Specially Designated Global Terrorists.”
Como os EUA podem agir
A classificação amplia significativamente os instrumentos disponíveis para Washington combater as duas maiores facções criminosas do Brasil:
• Sanções financeiras: Congelamento de ativos sob jurisdição americana, proibição de transações em dólar e forte pressão sobre instituições financeiras internacionais que atuam com redes de lavagem de dinheiro das facções.
• Criminalização de apoio material: Qualquer pessoa, empresa ou banco que fornecer financiamento, logística, treinamento, serviços, tecnologia ou intermediação financeira às organizações pode ser alvo de sanções.
• Restrições migratórias: Impedimento de entrada ou deportação de integrantes, suspeitos e apoiadores das facções nos Estados Unidos.
• Maior cooperação internacional: Ampliação de investigações conjuntas sobre narcotráfico, movimentações bancárias e crimes transnacionais com países da América Latina.
A decisão não autoriza automaticamente ações militares em território brasileiro. Para isso, seriam necessárias bases legais adicionais, acordos diplomáticos e autorização política específica. A medida também não transfere competência das investigações da Justiça brasileira para os EUA — o foco principal está em ferramentas financeiras, econômicas e de inteligência.
Contexto da decisão
A classificação veio dois dias após reunião de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro com Donald Trump na Casa Branca. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o jornalista Paulo Figueiredo participaram do encontro. Flávio Bolsonaro havia pedido publicamente a designação das facções como terroristas.
Argentina e Paraguai já haviam adotado medidas semelhantes. A decisão americana representa um endurecimento da postura dos EUA em relação ao crime organizado transnacional brasileiro e deve intensificar a pressão sobre redes financeiras e logísticas das facções fora do território nacional.
Fonte: Revista Oeste
















