A Heineken anunciou nesta segunda-feira (12) a renúncia de seu presidente-executivo, Dolf van den Brink, após seis anos no comando da companhia holandesa. A saída, programada para 31 de maio de 2026, ocorre em meio a um período desafiador marcado por vendas fracas, inflação de custos e insatisfação de investidores, com as ações da empresa registrando quedas significativas.
Van den Brink assumiu o cargo em junho de 2020, durante o auge da pandemia de Covid-19, e liderou a segunda maior fabricante de cerveja do mundo em um cenário turbulento. Sob sua gestão, a Heineken enfrentou uma enorme inflação de custos, desafios logísticos e uma queda nas vendas que impactaram as margens e o desempenho das ações. A companhia, responsável por marcas como Heineken, Tiger e Amstel, alertou recentemente que o crescimento do lucro operacional ajustado no exercício atual ficaria na extremidade inferior da faixa projetada, influenciado pela demanda mais fraca em mercados como Europa e América.

O conselho de supervisão da Heineken, presidido por Peter Wennink, informou que iniciará imediatamente a busca por um sucessor capaz de executar as ambições de longo prazo da empresa. Em outubro passado, a companhia definiu uma nova estratégia abrangendo os anos até 2030, focada em eficiência de custos e retorno para investidores. Van den Brink concordou em permanecer disponível como consultor por oito meses a partir de junho de 2026, garantindo uma transição suave.
A renúncia reflete um momento difícil para o setor de bebidas alcoólicas, com cervejarias lutando contra o alto custo de vida que pressiona o orçamento dos consumidores, além de fatores como mau tempo, incerteza política e o surgimento de novos concorrentes. Preocupações adicionais incluem o impacto de medicamentos para perda de peso nas vendas de alimentos e bebidas, bem como mudanças nas atitudes em relação ao consumo de álcool, especialmente entre os jovens.
As ações da Heineken caíram até 3,2% no pregão inicial em Amsterdã após o anúncio, destacando a pressão sobre o desempenho da companhia em comparação com rivais. O setor como um todo tem visto uma série de saídas de CEOs em empresas de consumo, impulsionadas por demandas por novas estratégias em meio a incertezas econômicas globais.
Fonte: Seu Dinheiro e O Globo
Foto: Reuters
















