Preços de alimentos essenciais dispararam nos primeiros quatro meses de 2026, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado pelo IBGE. A cenoura liderou os aumentos acumulados no ano, com alta de 79,35%.
Outros itens básicos da mesa do brasileiro também registraram fortes altas: açaí (emulsão) subiu 57,29%, tomate 54,34%, pepino 48,6%, abobrinha 36,1%, feijão-carioca (rajado) 32,56%, repolho 29,28% e cebola 27,47%.
A lista de produtos com variação acima de 10% inclui ainda morango (24,4%), batata-inglesa (21,53%), leite longa vida (21,39%), couve-flor (21,32%), brócolis (20,84%), batata-doce (19,5%), além de diversos peixes, folhas verdes, frutas e carnes.
Em abril, o grupo Alimentação e Bebidas foi o principal responsável pela inflação mensal do IPCA, que fechou em 0,67%. A alimentação no domicílio subiu 1,64% no mês. No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, o avanço dos alimentos ficou em 3,44%, ligeiramente abaixo dos 3,7% registrados no mesmo período de 2025.
Historicamente, a inflação de alimentos tem mostrado volatilidade. Enquanto o IPCA geral fechou 2023 em 4,62%, 2024 em 4,83% e 2025 em 4,26%, o subgrupo de alimentação no domicílio acumula pressões recorrentes, muitas vezes acima da média geral, impactando diretamente o custo de vida das famílias de baixa e média renda.
O gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves, atribuiu as altas à restrição de oferta provocada por fatores climáticos. “Alguns alimentos, de forma geral, apresentam uma restrição de oferta, o que provoca um aumento no nível de preços. No caso do leite, com a chegada do clima mais seco, sazonal no período, há redução de pasto, necessitando da inclusão de ração para os animais, o que eleva os custos. Não podemos deixar de mencionar a elevação no preço dos combustíveis, que afeta o preço final dos alimentos por conta do custo do frete”, explicou.
Economistas apontam ainda o cenário de El Niño mais intenso e impactos da guerra no Oriente Médio, que elevaram os preços internacionais do petróleo e, consequentemente, do diesel no Brasil.
Críticos ao governo Lula, no entanto, atribuem parte da pressão inflacionária à política econômica da gestão. Analistas da oposição e do mercado argumentam que a alta carga tributária mantida pelo governo, combinada com juros elevados (Selic ainda em patamares restritivos), encarece o custo de produção, o crédito rural e o frete, agravando o repasse aos preços finais e limitando o poder de compra das famílias.
Apesar da moderação em abril, os aumentos expressivos em itens básicos como tomate, feijão, cebola e cenoura continuam impactando fortemente o orçamento doméstico, com a alimentação representando uma das principais preocupações dos brasileiros neste ano.
Fonte: O Globo
















