O cantor e compositor Lindomar Castilho, conhecido como o “Rei do Bolero” e um dos maiores nomes da música romântica popular no Brasil, faleceu aos 85 anos neste sábado, 20 de dezembro de 2025. A morte foi confirmada por sua filha, Lili de Grammont, por meio de publicação nas redes sociais, onde escreveu: “Meu pai partiu. E como qualquer ser humano, ele é finito.”
Nascido Lindomar Cabral em Santa Helena, na época distrito de Rio Verde (GO), Castilho iniciou a carreira após se mudar para Goiânia, onde cursou Direito. O nome artístico foi sugerido pelo diretor da gravadora Continental, visando o público latino-americano. Seu primeiro álbum, Canções que Não se Esquecem (1963), trouxe repertório inspirado em Vicente Celestino.
Na década de 1970, pela RCA, alcançou o auge com o álbum Vou Rifar Meu Coração, que ganhou projeção internacional, com versões em espanhol e distribuição em dezenas de países. Entre os maiores sucessos estão “Você é Doida Demais”, “Eu Canto o que o Povo Quer” e a faixa-título do álbum, que vendeu cerca de 80 mil cópias na semana de lançamento no México e recebeu mais de 50 regravações apenas naquele país.
O cantor foi homenageado com um busto em Luanda (Angola) e reconhecido pela revista Billboard como “o novo ídolo das Américas”. Ao longo da carreira, lançou mais de 30 discos, cerca de 20 no exterior, e em 2001 teve “Você é Doida Demais” como tema de abertura do seriado Os Normais, da TV Globo.
A trajetória, porém, foi marcada por um episódio trágico em 1981, quando Castilho assassinou a tiros sua ex-mulher, a cantora Eliane de Grammont, de 26 anos, durante um show em São Paulo. Condenado a 12 anos por homicídio doloso e tentativa de homicídio, cumpriu parte da pena. O caso gerou grande repercussão e contribuiu para a criação, em São Paulo, da primeira Delegacia de Defesa da Mulher e da Casa Eliane de Grammont, voltada ao atendimento de vítimas de violência doméstica.
Após a prisão, Castilho gravou canções de temática religiosa e social e retomou a carreira nos anos 2000. Classificado como tenor de ampla extensão vocal, ele se consolidou na chamada música brega ao lado de nomes como Altemar Dutra, Agnaldo Timóteo, Nelson Ned e Waldick Soriano.
Fonte: Revista Oeste
















