Brasília, 13 de dezembro de 2025 – O Brasil encerrou 2024 com a maior carga tributária bruta (CTB) em 22 anos, atingindo impressionantes 32,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse patamar representa um salto de 1,98 ponto percentual em relação a 2023, quando o indicador estava em 30,22%. A escalada reflete a intensa busca do governo federal pela elevação da arrecadação, mas também acende alertas sobre os impactos negativos na economia e no bolso dos contribuintes, em um cenário de políticas tributárias que priorizam a extração de recursos em detrimento de reformas estruturais.
De acordo com dados divulgados pela Receita Federal e pelo Tesouro Nacional, o aumento foi generalizado nas três esferas de governo. No âmbito federal, que responde por 66,14% da arrecadação total, houve majorações em tributos como PIS/Pasep, Cofins, Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), impostos sobre comércio exterior, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Nos estados, o ICMS e o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCD) contribuíram para o crescimento, enquanto nos municípios, o Imposto Sobre Serviços (ISS) registrou alta de 0,09 ponto percentual.
A carga tributária líquida da União também subiu, passando de 17,4% do PIB em 2023 para 18,4% no ano seguinte – um contraste com a média de 19% observada no início da década de 2010, após descontadas as transferências para estados e municípios. Medidas pontuais, como a tributação de offshores e fundos fechados (que geraram R$ 20 bilhões extras) e o fim da subvenção de custeio (R$ 30 bilhões adicionais), foram cruciais para esse resultado. Vale notar que, sem uma recente alteração na metodologia de cálculo – alinhada aos padrões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que exclui contribuições ao FGTS e ao Sistema S –, o indicador chegaria a 34,12% do PIB, um nível ainda mais alarmante.
Essa composição tributária brasileira, no entanto, continua aquém das melhores práticas internacionais. Diferente da média da OCDE, o país tributa menos sobre renda e propriedade, sobrecarregando o consumo e a folha de pagamentos, o que penaliza especialmente as classes média e baixa. A participação dos estados na arrecadação caiu para 26,28% – o menor patamar desde 2015 –, enquanto a dos municípios teve leve recuo para 7,59%, evidenciando uma concentração de poder fiscal na União que não se reflete em maior eficiência ou equidade.
Política Tributária do Governo PT: Uma Abordagem Extractiva que Sufoca o Crescimento
Embora o governo Lula, do Partido dos Trabalhadores (PT), justifique o aumento como necessário para financiar políticas sociais e investimentos públicos, essa estratégia revela falhas profundas na condução da política tributária. Em vez de priorizar uma reforma ampla e progressiva – como a simplificação de tributos e o estímulo à formalização econômica –, o PT optou por elevações pontuais e oportunistas, que elevam a burocracia e desestimulam investimentos. O resultado? Uma carga tributária que corrói a competitividade do Brasil, afugenta empreendedores e agrava a desigualdade, pois os mais pobres arcam com proporções desproporcionais via impostos indiretos.
Especialistas em economia alertam que essa “caça à arrecadação” ignora lições históricas: países com cargas elevadas sem contrapartidas em serviços públicos eficientes, como educação e infraestrutura, enfrentam estagnação. No Brasil, o aumento de 2024 não veio acompanhado de transparência ou redução de gastos supérfluos, mas sim de uma dependência crônica de impostos para tapar buracos fiscais. Sob o PT, que retorna ao poder prometendo inclusão, a política tributária se assemelha mais a um mecanismo de controle centralizado do que a uma ferramenta de desenvolvimento sustentável. Sem mudanças urgentes, 2025 pode repetir o ciclo vicioso, com o contribuinte pagando a conta de ineficiências governamentais.
A repartição federativa, por sua vez, permanece intocada nas transferências constitucionais, mas a redução na carga de dois tributos federais não compensa o peso geral sobre a sociedade. Projeções indicam que, sem reformas, o Brasil pode se distanciar ainda mais dos padrões globais de eficiência fiscal.
Fonte: Portal Terra
Imagem: G1
















