A fila de espera por benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) alcançou 2,8 milhões de pedidos em outubro de 2025, mais que o dobro dos 1,2 milhão registrados em janeiro de 2023, no início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dados, obtidos pelo UOL junto ao próprio INSS, contrastam com a promessa feita pelo petista durante a campanha eleitoral de 2022 de zerar completamente a fila de atendimento.
A espera abrange pedidos de aposentadoria, pensões, Benefício de Prestação Continuada (BPC), auxílio-maternidade e perícias médicas para auxílio-doença. O maior gargalo está nas perícias, cuja fila saltou de 569 mil em junho de 2023 para 1,2 milhão em setembro de 2025. Já a fila específica do BPC – destinado a idosos acima de 65 anos de baixa renda e pessoas com deficiência – subiu de 511 mil para 898 mil no mesmo período. Por outro lado, os pedidos de aposentadoria, que não exigem perícia médica, registraram redução, passando de 357 mil para 283 mil.
Em nota, o INSS atribuiu o crescimento da fila a mudanças legislativas que ampliaram a proteção social, ao envelhecimento da população e ao novo critério de cálculo da renda familiar para o BPC. O órgão destacou que a análise de muitos pedidos depende de outros entes públicos, o que dificulta a agilização. Como medidas de enfrentamento, informou a criação de um comitê específico e a realização de mutirões.
Apesar do aumento no estoque de pedidos, o tempo médio geral de concessão de benefícios caiu para 35 dias no atual governo, contra 79 dias ao final da gestão Jair Bolsonaro. No entanto, o prazo médio para o BPC registrou forte alta, passando de 62 dias em janeiro de 2024 para 193 dias atualmente – superior aos períodos anteriores.
Beneficiários relatam dificuldades como suspensão de pagamentos, longas esperas por perícias e atrasos na renovação de benefícios já concedidos. Casos incluem idosos sem renda, trabalhadores afastados por doença ou acidente e pessoas que perderam emprego durante a análise do pedido.
Durante a campanha de 2022, Lula prometeu zerar a fila do INSS. A meta foi reiterada no discurso de posse e em entrevistas ao longo de 2023, quando o presidente afirmou que o problema só poderia ser explicado por falta de recursos, pessoal ou gestão, e que seria necessário agir.
Fonte: Revista Oeste
















