Brasília, 25 de março de 2026 – A elite do Judiciário brasileiro figura entre as mais bem remuneradas do planeta. É o que aponta levantamento conduzido por Sergio Guedes-Reis para a República.org, que comparou salários de juízes em 11 países, entre eles Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido e França.
De acordo com o estudo, os 25% de magistrados brasileiros com os maiores vencimentos – cerca de 7,4 mil profissionais – recebem mais que quase todos os equivalentes internacionais, mesmo após ajustes de paridade de poder de compra (PPP) e custo de vida.
A remuneração inicial da magistratura brasileira equivale ao patamar dos 10% mais bem pagos na Alemanha e se aproxima da média salarial observada na França e em Portugal. A discrepância se repete em todos os estratos da carreira jurídica.
“Há um descolamento entre os rendimentos das carreiras de elite no país e a realidade socioeconômica nacional”, afirma o pesquisador Sergio Guedes-Reis. Em outros países analisados, a remuneração dos juízes está mais alinhada ao contexto econômico local.
O estudo destaca que os chamados “penduricalhos” – adicionais e verbas indenizatórias pagas acima do teto constitucional – contribuem para inflar os salários. O tema voltou à pauta do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (25), com a retomada do julgamento de liminares sobre o assunto.
Caso o teto constitucional fosse rigorosamente respeitado, a União poderia economizar até R$ 500 bilhões em 20 anos, segundo estimativa do levantamento.
Para as comparações internacionais, o estudo utilizou ajustes cambiais específicos. Exemplo: US$ 100 nos Estados Unidos equivalem a cerca de R$ 262 no Brasil, devido ao maior custo de vida norte-americano.
A pesquisa da República.org reforça o debate sobre supersalários no setor público brasileiro, no qual o segmento jurídico lidera a “corrida” por remunerações elevadas.
Fonte: Revista Oeste / República.org
















