O Brasil registrou em 2024 o maior rendimento médio mensal de todas as fontes desde 2012, alcançando R$ 3.208, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador abrange salários, aposentadorias, pensões, benefícios sociais, aluguéis e outras rendas. Apesar da recuperação econômica e dos reajustes salariais que impulsionaram o recorde nacional, as desigualdades regionais permanecem profundas: o Maranhão continua na lanterna, com o menor rendimento médio do país, R$ 2.051.
Essas disparidades são agravadas por fatores estruturais que explicam a persistência da pobreza no estado. Entre as principais causas estão a alta taxa de informalidade (56,5% dos trabalhadores ocupados, a maior do Brasil), a forte ruralidade com agricultura de baixa produtividade e subsistência, a baixa escolaridade da população adulta, a precariedade em infraestrutura básica (como saneamento e acesso à água) e a dependência excessiva de transferências públicas e benefícios sociais, como o Bolsa Família – que supera o número de empregos formais no estado.
A realidade fica ainda mais crítica no interior maranhense. Em Olho d’Água das Cunhãs, por exemplo, o salário médio mensal dos trabalhadores formais era de 2,4 salários mínimos em 2023 (dados do IBGE), mas o PIB per capita de apenas R$ 9.604,66 em 2021 e o fato de mais de 54,6% da população viver com até meio salário mínimo per capita em 2010 (dados mais recentes disponíveis para esse indicador) refletem a alta informalidade, com apenas 540 postos formais para uma população de cerca de 18 mil habitantes, e a forte dependência da administração pública e de atividades de baixo valor agregado.
No extremo oposto, o Distrito Federal registra R$ 5.037 – mais que o dobro do Maranhão. São Paulo aparece em segundo, com R$ 3.884, seguido por estados como Rio de Janeiro (R$ 3.739). Ceará (R$ 2.053) e Bahia (R$ 2.140) completam os menores valores. As regiões Norte (R$ 2.450) e Nordeste (R$ 2.229) representam, respectivamente, apenas 76,4% e 69,5% da média nacional.
Nos últimos 12 anos, o rendimento nacional evoluiu de forma irregular: saiu de R$ 2.935 em 2012, cresceu até R$ 3.123 em 2014, sofreu quedas na recessão de 2017 e na pandemia (chegando a R$ 2.888 em 2022), e se recuperou a partir de 2023 (R$ 3.094).
As desigualdades vão além da geografia: homens ganham 27,2% mais que mulheres (que recebem, em média, 78,6% do rendimento masculino, caindo para 63,8% em serviços e comércio); pessoas brancas recebem 65,9% mais que pretas ou pardas por hora trabalhada. No topo, diretores e gerentes têm R$ 8.721 mensais; na base, ocupações elementares ficam em R$ 1.454 – menos da metade da média nacional.
O recorde brasileiro mascara realidades como a do Maranhão e de municípios como Olho d’Água das Cunhãs, onde o abismo socioeconômico, alimentado por informalidade, isolamento rural e falta de investimentos em educação e infraestrutura, ainda marca profundamente o país.
Fontes: G1, Portal Terra e IBGE (Cidades)
















